Quem compra o primeiro carro elétrico costuma perguntar qual é o carregador mais potente que cabe na garagem. A pergunta que resolve é outra: quanto o carro aceita, quanto a casa aguenta e quanto tempo ele fica parado. Com essas três respostas, a escolha do wallbox quase se faz sozinha.
Comece pelo carro.
Todo elétrico tem um carregador de bordo: um conversor, dentro do carro, que transforma a corrente alternada da rede em corrente contínua para a bateria. Na recarga em corrente alternada (AC), é ele que define a velocidade máxima, não o wallbox.
Entre os 14 elétricos mais vendidos no Brasil em 2026, que usamos na nossa calculadora de recarga, oito aceitam até 6,6 kW em AC e seis aceitam até 11 kW em trifásico. Nenhum passa de 11 kW. Para esses carros, um wallbox de 22 kW não carrega mais rápido que um de 11 kW.
Tem um detalhe que pouca gente olha: o carregador de bordo monofásico usa uma fase só. Num wallbox trifásico de 11 kW, que entrega 16 A por fase, um carro monofásico recebe cerca de 3,7 kW, pouco mais da metade do que teria num wallbox monofásico de 7 kW. Confira a potência AC no manual ou na ficha técnica do carro e pergunte na concessionária se o carregador de bordo é monofásico ou trifásico.
Depois, a rede elétrica do imóvel.
O Wallbox AC da CHINT tem três potências, e cada uma pede uma rede:
- Wallbox AC 7 kW
- Mono ou bifásico 220 V · 32 A
- Wallbox AC 11 kW
- Trifásico 400 V · 16 A por fase
- Wallbox AC 22 kW
- Trifásico 400 V · 32 A por fase
Fonte: datasheet Wallbox AC 7 / 11 / 22 kW e catálogo CHINT eMOB 2026. Tensão nominal no datasheet: 230 Vca ±10% (mono ou bifásico) e 400 Vca ±10% (trifásico).
Para a maioria das casas com um carro, o 7 kW resolve. Ele funciona numa ligação monofásica ou bifásica de 220 V e entrega exatamente o que um carro de 6,6 kW consegue receber. O 11 kW e o 22 kW pedem rede trifásica de 400 V; a faixa do datasheet, de 10% para mais ou para menos, inclui as redes de 380 V. A tensão trifásica muda de região para região, então confirme a da sua casa com o eletricista antes de escolher.
Um wallbox de 7 kW puxa até 32 A durante horas seguidas. Por isso o eletricista soma o carregador às outras cargas da casa e confere se o disjuntor geral e o padrão de entrada têm folga para ele.
Faça a conta da noite.
Potência vezes tempo dá a energia. Um wallbox de 7 kW ligado das 22h às 6h entrega cerca de 56 kWh, mais do que a bateria inteira de um compacto elétrico popular, que fica entre 30 e 39 kWh. A potência real é a menor entre a do wallbox e a do carregador de bordo, e a recarga desacelera perto dos 100%.
Dois exemplos da calculadora: um BYD Dolphin, com 44,9 kWh e 6,6 kW em AC, vai de 0 a 100% em cerca de 7 h 35 min num Wallbox 7 kW. Um Volvo EX30 Extended Range, que aceita 11 kW em trifásico, vai de 0 a 100% em cerca de 6 h 35 min num Wallbox 11 kW. E quase ninguém chega em casa com a bateria vazia: quem roda 50 km por dia num carro como o Dolphin repõe essa energia em pouco mais de uma hora.
Cabo portátil ou wallbox.
Muitos carros vêm com um cabo portátil, que liga numa tomada. A norma internacional de recarga, a IEC 61851-1 (no Brasil, ABNT NBR IEC 61851-1), chama isso de modo 2: o controle e a proteção ficam numa caixa no meio do cabo. O wallbox é o modo 3: um equipamento fixo e dedicado, que informa ao carro a corrente disponível e controla quando o conector é energizado.
O cabo portátil fica como reserva. No dia a dia, o wallbox carrega mais rápido, num circuito feito para isso. O Wallbox AC CHINT tem proteção contra fuga de corrente integrada (RCD tipo A de 30 mA CA mais 6 mA CC), grau de proteção IP65 e IK10 para uso interno e externo, e proteções contra sobre e subtensão, sobrecorrente, sobretemperatura, surto e curto-circuito.
A instalação segue norma.
No Brasil, a referência para a instalação é a ABNT NBR 5410, que trata das instalações elétricas de baixa tensão, junto com a ABNT NBR 17019, publicada em 2022 e baseada na IEC 60364-7-722. A 17019 é específica para a alimentação de veículos elétricos, complementa a 5410 e orienta, entre outros pontos, a proteção por dispositivo diferencial-residual (DR) no quadro.
Na prática, o eletricista dimensiona um circuito dedicado só ao carregador, com disjuntor, DR e aterramento. A norma de recarga da Celesc, distribuidora de Santa Catarina, por exemplo, pede um circuito próprio para cada estação. O Wallbox AC CHINT já traz a detecção de 6 mA em corrente contínua; confirme com o instalador o DR do quadro.
Contrate um profissional habilitado e peça a ART, a Anotação de Responsabilidade Técnica do serviço. Ela registra quem projetou e quem executou. Em condomínios de São Paulo, a lei estadual 18.403, de 2026, já exige ART ou RRT para instalar carregador na vaga; em casa, é o seu registro de quem fez o quê.
Avise a distribuidora.
Somar um carregador à casa é aumento de carga. A Copel, no Paraná, orienta que seja comunicada sempre que houver ligação nova, alteração de carga ou mudança do nível de tensão. A Celesc pede a comunicação antes da execução, com formulário próprio. Regras e formulários mudam de uma distribuidora para outra: consulte o site da sua antes da obra. Se o padrão de entrada precisar mudar, por exemplo de monofásico para trifásico, a mudança também passa por ela.
Simples ou conectado.
Os Wallbox AC PRO de 7 e 22 kW vêm com tela LCD de 4", Wi-Fi, Ethernet, RS485, leitor RFID e OCPP. Em casa, o cartão RFID evita que alguém use o carregador sem você saber, e o app configura o wallbox e permite limitar a recarga por tempo ou por energia. A versão ULTRA troca a tela por uma touch de 7" e também vem com leitor RFID; potência e proteções são as mesmas, e o conector entregue no Brasil é o Tipo 2. Veja as duas versões na página do Wallbox AC.
Resumo.
- Veja a potência AC do carro e se o carregador de bordo é monofásico ou trifásico.
- Confirme a rede do imóvel: 220 V mono ou bifásico para o 7 kW; trifásico 400 V para o 11 e o 22 kW.
- Faça a conta: horas parado vezes a potência que o carro aceita.
- Contrate profissional habilitado, com circuito dedicado, DR, aterramento e ART.
- Comunique a distribuidora antes da obra.
Perguntas rápidas.
Qual a potência do carregador para casa?
Para a maioria das casas, 7 kW: oito dos 14 elétricos mais vendidos no Brasil aceitam até 6,6 kW em AC, e nenhum passa de 11 kW. Fonte: fichas técnicas dos carros na calculadora CarregaBR.
O wallbox pode ficar do lado de fora?
Sim. O Wallbox AC CHINT tem grau de proteção IP65 e IK10, para uso interno e externo. Fonte: datasheet Wallbox AC 7 / 11 / 22 kW.
Preciso avisar a distribuidora?
Sim, somar um carregador é aumento de carga. A Copel orienta comunicar a alteração de carga, e a Celesc pede a comunicação antes da obra. Fontes: Governo do Paraná sobre a norma Copel e Celesc I-321.0043.
Próximos passos.
- Calcule o tempo de recarga do seu carro no Wallbox 7, 11 ou 22 kW.
- Veja o Wallbox AC: modelos, ficha técnica e documentos.
- Mora em prédio? Leia carregador em condomínio.
- Peça um orçamento com o carro e a rede da sua casa.
Fontes.
- CHINT, datasheet Wallbox AC 7 / 11 / 22 kW e catálogo eMOB 2026, itens 1.3 e 1.4.
- CarregaBR, dados da calculadora de recarga: fichas técnicas brasileiras, EV Database e tabela PBEV 2026 do Inmetro (acesso em 15/10/2026).
- Canal Solar, "ABNT publica norma para instalação de carregadores de veículos elétricos", 24/05/2022: canalsolar.com.br (acesso em 17/10/2026).
- EVKX, "Charging modes 2, 3 and 4" (IEC 61851-1): evkx.net (acesso em 17/10/2026).
- Celesc Distribuição, I-321.0043, Estações de recarga de veículos elétricos, aprovada em 16/10/2024, itens 5.1 e 5.6: celesc.com.br (acesso em 17/10/2026).
- Governo do Paraná, "Copel publica norma para recarga de veículos elétricos", 02/12/2019: parana.pr.gov.br (acesso em 17/10/2026).
- Lei estadual de São Paulo nº 18.403, de 18/02/2026, art. 1º, reproduzida em Migalhas: migalhas.com.br (acesso em 17/10/2026).
